Dia de Finados no Brasil. Como é feriado, a cidade de São Paulo, como já é tradição, comemora a data de um jeito bem peculiar: com o Zombie Walk.
E o pessoal anda (rá!) cada vez mais criativo. As maquiagens são ótimas e você vê de tudo: zumbi gordão, zumbi bebê, zumbi noiva, zumbi Elvis, zumbi repórter, zumbi sexy e por aí vai.
Um gancho perfeito para uma lista: cinco filmes de zumbis que você não pode deixar de ver.
Confesso que foi quase impossível chegar apenas em cinco. Tem muita coisa legal. Mas muita mesmo. Então, excluí alguns clássicos (aqueles que acredito que quase todo mundo já viu) para privilegiar alguns não tão populares (e que fogem um pouco das listas convencionais), mas que merecem atenção.
Vamos lá:

A Maldição dos Mortos Vivos (The Serpent and the Rainbow – 1988)
Wes Craven é um dos diretores de horror mais significativos para o cinema. Suas obras vão de slashers juvenis (como A Hora do Pesadelo e Pânico) a psicológicos (Quadrilha de Sádicos e As Criaturas Atrás das Paredes). Na linha mais próxima ao real, Craven decidiu fazer um filme de zumbis. Mas como seria isso? Como é um filme de morto-vivo próximo a realidade? A resposta está no livro “A Serpente e o Arco-Íris”, do botânico e aventureiro Wade Davis. O cara simplesmente narra uma história em que um estudioso encontra, em uma sociedade primitiva no Haiti uma espécie de zumbificação,a qual mortos voltam a vida por meio de ervas e uma espécie de vodu (não é bem isso. Tem mais a ver com uma espécie de catalepsia). Assim como o livro, o filme é sério, assustador e constrói, dentro de uma premissa política e cultural, um conceito pouco utilizado neste gênero. Não é o melhor dos filmes de horror, já que a narrativa é lenta e estranha, mas, por ser diferente, vale a pena observar.

O Baile dos Mortos (Dance of the Dead – 2008)
A citação mais justa seria “Shaun of The Dead” (ou “Todo Mundo Quase Morto”). Filme genial de Simon Pegg e uma das melhores comédias de humor negro da história. Mas, como está em todas as listas, preferi citar esse que é na mesma linha. O pano de fundo é o baile de formatura. Enquanto a molecada se diverte, os mortos levantam, voltam à vida e invadem a festa. A sanguinolência comendo solta e só os nerds, que sabem como pará-los, vão conseguir enfrentar os zumbis. A maior crítica que ouvi até hoje sobre esse filme foi que “é muito escachado”. Ou seja: recheado de situações hilárias e muito cheio de graça. Então, não esperem um filme de terror genuíno, mas algo que, assim como “Shaun” fará você rir das bizarrices.

A Volta dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead – 1985)
Essa insanidade me causou noites em claro na infância. Devia ter uns 10 anos quando assisti a primeira vez no Corujão da Globo. Era absurdamente apavorante ver os mortos comendo vivos e vivos se tornando mortos que comem os vivos. Assisti novamente há poucos anos e o clima assustador continua lá. É claro que, como hoje tenho muito mais referências, consegui entender a ideia de ser uma obra-homenagem-paródia ao clássico de George Romero “A Noite dos Mortos Vivos”. Com uma série de situações bizarras, o filme de Dan O’Bannon (roteirista de “Alien, o Oitavo Passageiro”) tem um timing de humor que não atrapalha a sua condição de horror. O destaque bacana também é a trilha sonora, cheia de punk rock oitentista. Maquiagens ótimas, climão aterrorizante, humor negro e final surpresa. Imperdível!

Pelo Amor e Pela Morte (Dellamorte Dellamore – 1994)
Puta filmão. Um dos meus preferidos dentre todos os filmes de zumbis que existem. Dirigido pelo italiano Michele Soavi, como o título já informa, a trama conduz uma história de amor pós-morte, divertida e diferente, que lembra um pouco a estrutura dos filmes de José Mojica Marins (gênio absoluto!). Hupert Everett (em uma das melhores atuações de sua carreira) é Francesco Dellamorte, um segurança de cemitério. Mas não um qualquer. Um em que os mortos voltam depois de sete dias enterrados. E, tal questão, faz parte do trabalho de Dellamorte, que precisa se livrar dos que levantam. O homem vive a lamentar sua vida, a qual considera uma maldição sem fim. Até que chega uma bela viúva no pedaço… que morre… e depois volta. Adivinha o que acontece? O coveiro herói cai de paixão pela zumbi. A divisão dos 3 atos em morte, comédia e amor – totalmente costurados tudo em um só conflito: o drama pessoal da vida de Dellamorte – é algo de excepcional. O final filosófico dá o tom genial entre a antítese de morte x amor. Imperdível!

Fome Animal (Braindead – 1992)
Certa vez, um amigo me pediu que levasse para nossa viagem um filme o qual permitisse que todos se mantivessem acordados, já que isso nunca acontecia. Pensei alguns minutos e lembrei: “Fome Animal”. Sucesso total! Não só ninguém dormiu como, ao final da sessão, foi um blablabla danado, risadas e caras de “meu, o que foi isso?”. Antes mesmo de ficar famosão,Peter Jackson era um nerd alucinado e metido a diretor na Nova Zelândia. Ele e a turma da escola (que depois vieram a ser os profissionais da WETA) faziam filmes que pareciam uma maluquice total, pensados na mesa de um pub, mas que o tempo provou ter seu valor. Hoje, o melhor deles se tornou um dos maiores cults de humor negro do cinema. Tudo começa com uma doença disseminada pelo macaco-rato da Sumatra. A peste acaba por transformar a mãe do herói em zumbi e, dali pra frente, é só gore. Você nunca verá tanto sangue, tripas e coisas nojentas acontecendo dentro de apenas algumas horas de filme. Mas calma. Apesar de parecer podre, é muito engraçado. Muito mesmo. São tantas e tantas situações absurdas, que fica impossível não se divertir. Baixíssimo orçamento e uma obra-prima.

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