quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Já têm 30 anos que tentamos fazer o golpe da garça de “Karate Kid”

Karate Kid
De todos os filmes dos anos 80 que foram repetidos à exaustão ao longo dos 90 nas tardes da TV aberta, “Karate Kid” é um dos que fica no meio termo na escala de simpatia, que tem “Curtindo a Vida Adoidado” como o mais amado e “A Lagoa Azul” (e a continuação/remake) como o mais irritante. Não é para menos. O filme é simplesmente brilhante ao contar a história de um perdedor que tem uma chance quase mágica de dar a volta por cima. Mas vamos por partes.
Em certo sentido, “Karate Kid” é a versão juvenil e com final feliz de “Rocky, um Lutador” – e não é nenhuma coincidência que ambos tenham sido dirigidos pela mesma pessoa, John G. Avildsen. Ambos são sobre um azarão que consegue uma chance de provar seu valor através de socar muito seu oponente em um evento. Mas mesmo que a saga de Rocky Balboa resulte em um filme melhor, é a de Daniel Larusso que encanta, justamente por falar direto com adolescentes e por beirar a fábula.
Daniel, interpretado por Ralph Macchio, apanha de outros garotos valentões. Isso faz com que, por pena, seu vizinho japonês, o icônico Senhor Miyagi, vivido por Pat Morita, comece a lhe ensinar Karatê, através de uma série de tarefas domésticas que, no fundo, são profundas lições de defesa básica. Ele terá uma chance de provar seu valor em um campeonato de Karatê, em que os mesmos garotos que bateram nele irão competir. E ele não apenas ganha (ilegalmente, mas ganha), como termina o filme com uma namorada e um carro dado pelo seu mestre, que funciona aqui como uma espécie de substituto de seu pai. Nem a Disney conseguiria um final tão feliz assim.
Parte do encantamento está no fato de que Daniel é basicamente um Luke Skywalker possível. Ele é um perdedor que sonha em ser relevante um dia e é treinado por um baixinho de aparência frágil e sotaque estranho. E é basicamente por isso que nos relacionamos. Afinal, quem nunca sonhou em aprender uma arte marcial, especialmente se não estiver diretamente empenhado nisso?
Daniel-San representa, nesse sentido, toda criança que morria de medo de ir para o recreio porque sabia que ia esbarrar com aquele babaca sádico que curte te bater e roubar seu lanche apenas pela diversão. E mais, mostra uma luz no fim do túnel para elas, na forma de cercas pintadas e carros encerados. E é só pensar em quantas pessoas passaram os anos 80 e 90 tentando executar o absolutamente inviável golpe da garça para ter uma ideia do quão forte essa mensagem é.
O primeiro “Karate Kid” foi exibido no Brasil 30 anos atrás, dois meses depois de sua estreia americana. Mas seus símbolos são poderosos para que, ainda hoje, ele ser visto como uma história tão cativante assim. Tanto que até mesmo sua refilmagem, com Jackie Chan e Jaden Smith, possui lá seus méritos

Fonte:PoP
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