“Superman, o Filme”, de 1978 ou “Homem de Aço”, de 2013? Qual é o melhor?
Tanto em 1978 quanto em 2013, filmar a história do garoto de Krypton que chega no planeta Terra foi um belo desafio para os produtores da Warner. O primeiro por motivos óbvios, já que ainda não existiam recursos tecnológicos muito convincentes para criar perfeitamente os efeitos de um homem voando e interagindo com os elementos reais. Mas, graças ao sucesso estrondoso de Star Wars (1977) e as técnicas inovadoras da Industrial Light & Magic, Hollywood estava a fim de arriscar. O segundo, o de 2013, lutava contra a desconfiança de milhares de fãs, que já não estavam convencidos de que mais um filme (ou até uma nova franquia) sobre o Super-Homem fosse necessário. O fracasso do incompreendido “Superman Returns” (2006) e o carisma insubstituível de Christopher Reeve pareciam atravancar qualquer ideia nova para o herói. Mais do que isso, os dilemas morais do protagonista, pareciam ter dado lugar definitivamente à malícia de caras como Tony Starks, ou à violência de Wolverine. Mas, foi só anunciar a participação de Christopher Nolan no projeto que tudo mudou. O problema seguinte parecia ser administrar as expectativas.
O resultado das duas obras, depois de tanto receio de todas as partes, chegou ao esperado sucesso. Ficou, então, uma pergunta estranha (sempre fica): é possível escolher qual é o melhor filme do Superman?
É difícil chegar a uma conclusão.
Para facilitar a análise, talvez seja interessante pensar em partes:
Estilo
São dois filmes absolutamente diferentes em estilo. “Superman, o Filme” tem o clima das histórias da Era de Ouro dos quadrinhos e possui um charme inigualável. Os estereótipos dos personagens, por exemplo, definem imediatamente um laço agradável com o espectador. Até mesmo os secundários (como Ottis, Jimmy Olsen e a senhorita Teschmacher) tem um valor carismático incrível. Os figurinos, as cores chamativas, os diálogos inocentes e, principalmente, o respeito intrínseco as primeiras histórias de Joe Shuster e Jerry Siegel ajudaram a elevar a produção à alcunha de melhor filme de super-herói por mais de duas décadas.
São dois filmes absolutamente diferentes em estilo. “Superman, o Filme” tem o clima das histórias da Era de Ouro dos quadrinhos e possui um charme inigualável. Os estereótipos dos personagens, por exemplo, definem imediatamente um laço agradável com o espectador. Até mesmo os secundários (como Ottis, Jimmy Olsen e a senhorita Teschmacher) tem um valor carismático incrível. Os figurinos, as cores chamativas, os diálogos inocentes e, principalmente, o respeito intrínseco as primeiras histórias de Joe Shuster e Jerry Siegel ajudaram a elevar a produção à alcunha de melhor filme de super-herói por mais de duas décadas.
Já em, “Homem de Aço”, o tom realístico constrói uma condição totalmente diferente. Não havia mais espaço para que apenas um óculos e um terno enganasse a todos. Mas o que funcionou perfeitamente com a trilogia de Batman – um divisor de águas para o futuro dos heróis no cinema –, um ser humano sem poderes especiais, poderia não funcionar para um escoteiro alienígena. Era um risco enorme. Um desafio e tanto. Surpresa ou não, a carga dramática intensa, a ausência de alívios cômicos (diferente do de 1978) e os momentos de ação (como até então não existiam nos anteriores, exceção feita à cena de Superman III, em que o azulão luta contra seu alter-ego bizarro) revelaram um ressurgimento digno da popularidade do protagonista.
Direção
Enquanto “Superman” foi quase inteiramente filmado em estúdio, “Homem de Aço” foi o primeiro filme de Zack Snyder produzido em locações, o que aumenta a complexidade de direção. Por outro lado, como o trabalho maior para ambos estava na pós-produção, o primeiro leva ligeira vantagem, em função das condições da época. Eram cabos, guinchos e parafernálias reais que ajudavam Reeve a chegar ou partir de um voo. A dificuldade maior, no entanto, foram os conflitos e tensões que Richard Donner teve que lidar. Primeiro com os atores (Marlon Brando e seu ego e Margot Kidder estressada), depois com o estúdio que o pressionava com os prazos e, por último e definitivo, com os produtores, que o detonaram em função do orçamento já estourado, culminando em sua demissão. Inclusive, Superman e Superman II haviam sido filmados ao mesmo tempo, mas com a saída de Donner, Richard Lester assumiu os 20% que faltavam para concluir a obra.
Enquanto “Superman” foi quase inteiramente filmado em estúdio, “Homem de Aço” foi o primeiro filme de Zack Snyder produzido em locações, o que aumenta a complexidade de direção. Por outro lado, como o trabalho maior para ambos estava na pós-produção, o primeiro leva ligeira vantagem, em função das condições da época. Eram cabos, guinchos e parafernálias reais que ajudavam Reeve a chegar ou partir de um voo. A dificuldade maior, no entanto, foram os conflitos e tensões que Richard Donner teve que lidar. Primeiro com os atores (Marlon Brando e seu ego e Margot Kidder estressada), depois com o estúdio que o pressionava com os prazos e, por último e definitivo, com os produtores, que o detonaram em função do orçamento já estourado, culminando em sua demissão. Inclusive, Superman e Superman II haviam sido filmados ao mesmo tempo, mas com a saída de Donner, Richard Lester assumiu os 20% que faltavam para concluir a obra.
No caso de o “Homem de Aço” foi tudo só amor. A Warner e a DC, vendo a concorrência somar sucessos e bilhões, finalmente encontraram um projeto genuinamente interessante (por um tempo existiu uma ideia de Tim Burton dirigindo Nicolas Cage, que parecia piada, mas não era). Aí ficou fácil executar. Não houve interferência do estúdio ou dos produtores, o roteiro era plausível e o cast… bem, o cast parecia inconstante. A maior dor de cabeça era, indubitavelmente, quem poderia chegar ao nível de Christopher Reeve.
Elenco
Zack Snyder e sua equipe de casting começaram os testes em 2010. De cara, Henry Cavill estava entre as principais opções para viver o Homem de Aço (alguns dos nomes na lista eram: Joe Manganiello, Armie Hammer, Matthew Goode, Colin O’Donoghue e Matthew Bomer. Você não conhece ninguém, certo? Mas dá um Google como curiosidade). Um acerto e tanto. Dentro do estilo ao qual o filme se propunha, o americano, natural de New Jersey, se encaixava perfeitamente no papel principal. Tinha carisma, simplicidade e virilidade, alinhados de maneira natural. O seu talento fica ainda mais visível em cenas ao lado de seus pais humanos (como adolescente é bem convincente), despendendo emoção até em momentos em que não seria necessária tanta entrega. Kevin Costner e Russel Crowe não estão menos brilhantes e são pontos fundamentais para o equilíbrio das escolhas de Clark Kent. Vale também uma citação de mérito à performance de Michael Shannon, como Zod. Mas ficou aí. Talvez culpa de algumas forçadas de barra do roteiro. Fato é que, tanto Amy Adams e Laurence Fishburn, ficaram devendo. Óbvio que, para um filme com o estilo realístico e sem pontos de comédia, a atuação é muito mais difícil.
Zack Snyder e sua equipe de casting começaram os testes em 2010. De cara, Henry Cavill estava entre as principais opções para viver o Homem de Aço (alguns dos nomes na lista eram: Joe Manganiello, Armie Hammer, Matthew Goode, Colin O’Donoghue e Matthew Bomer. Você não conhece ninguém, certo? Mas dá um Google como curiosidade). Um acerto e tanto. Dentro do estilo ao qual o filme se propunha, o americano, natural de New Jersey, se encaixava perfeitamente no papel principal. Tinha carisma, simplicidade e virilidade, alinhados de maneira natural. O seu talento fica ainda mais visível em cenas ao lado de seus pais humanos (como adolescente é bem convincente), despendendo emoção até em momentos em que não seria necessária tanta entrega. Kevin Costner e Russel Crowe não estão menos brilhantes e são pontos fundamentais para o equilíbrio das escolhas de Clark Kent. Vale também uma citação de mérito à performance de Michael Shannon, como Zod. Mas ficou aí. Talvez culpa de algumas forçadas de barra do roteiro. Fato é que, tanto Amy Adams e Laurence Fishburn, ficaram devendo. Óbvio que, para um filme com o estilo realístico e sem pontos de comédia, a atuação é muito mais difícil.
“Superman, o Filme” deveria ser obrigatório em escolas e cursos de interpretação. Marlon Brando (Jor-El), Gene Hackman (Lex Luther), Ned Beatty (Ottis), Jackie Cooper (Perry White), Margot Kidder (Lois Lane) e, por que não citar o Zod, de Terence Stamp (de Superman II), todos estão irretocáveis. Em relação a Christopher Reeve, é até uma certa covardia compará-lo a Henry Cavill. Principalmente pela versatilidade de atuação como o Clark Kent bobão e o Super-Homem maduro e inteligente. Mesmo porque o super de Henri não… Bem, melhor não contar para não estragar.
O resultado…
Impossível definir ainda. Primeiro porque “Homem de Aço” precisa estrear no Brasil. Depois, com os números de bilheteria, seria possível começar uma projeção. O mais importante, contudo, seria o amadurecimento do filme e esperar ver o que ele pode se tornar. Pode ser que venha a ser apenas um bom Blu-ray, cheio de extras e aquela caixa bonita… ou pode ser que se transforme em um grande clássico, daqueles imperdíveis para qualquer geração. Só o tempo dirá.
Impossível definir ainda. Primeiro porque “Homem de Aço” precisa estrear no Brasil. Depois, com os números de bilheteria, seria possível começar uma projeção. O mais importante, contudo, seria o amadurecimento do filme e esperar ver o que ele pode se tornar. Pode ser que venha a ser apenas um bom Blu-ray, cheio de extras e aquela caixa bonita… ou pode ser que se transforme em um grande clássico, daqueles imperdíveis para qualquer geração. Só o tempo dirá.
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